O apelido “Prefeito Sedex” caiu como uma luva para Lucas Sanches (PL), atual chefe do Executivo de Guarulhos. Em sete meses de gestão, ele tem se destacado não pela criação de políticas públicas ou execução de novos projetos, mas pela entrega de obras herdadas da administração anterior — muitas já concluídas ou em fase final. Enquanto isso, promessas feitas à população seguem sem qualquer sinal de cumprimento.
Entregas com Etiqueta de Outro Remetente
Sanches tem comemorado nas redes sociais a entrega de diversos equipamentos públicos, como se fossem frutos de sua gestão. No entanto, segundo reportagem do GuarulhosWeb, grande parte dessas obras foi planejada e executada pelo ex-prefeito Guti (PSD), a quem Sanches frequentemente critica.
Entre os exemplos estão:
• O Casarão da Nossa História, já inaugurado em dezembro passado
• Equipamentos de assistência social e saúde em Cumbica, que já funcionavam
• Campos de grama sintética concluídos em 2024
• Reformas no Cemeg Pimentas, sem justificativa clara
O Que Não Foi Entregue
Apesar da propaganda intensa, Sanches deixou de cumprir compromissos básicos com a população:
• Uniformes escolares para 120 mil alunos
• Materiais escolares completos
• Ovos de Páscoa para crianças da rede municipal
• Cestas básicas nas férias de julho
Além disso, promessas como “remédio em casa”, psicólogos nas escolas, médicos nas unidades de saúde e fim das filas em creches e exames seguem apenas no papel.
Cobrança no Zoológico: Lazer Agora Tem Preço
Em mais uma medida polêmica, o prefeito assinou decreto que prevê cobrança de estacionamento no Zoológico de Guarulhos, antes gratuito. A decisão se baseia em uma lei de 2014, ignorada por seus antecessores justamente para preservar o acesso popular ao lazer. A medida gerou críticas por penalizar famílias que frequentam o parque.
Operação “Burros n’água”: Barulho Sem Resultado
Em uma ação midiática, Sanches invadiu o Aeroporto Internacional de Guarulhos para cobrar impostos da concessionária GRU Airport. A operação, batizada de “caixa preta”, terminou com a apreensão de uma garrafa de água vencida — o único resultado prático. O STF já suspendeu nacionalmente qualquer cobrança de IPTU sobre áreas da União cedidas a concessionárias, tornando a ação juridicamente inócua.
Dívida Inflada?
O prefeito alegou que a GRU Airport deve R$ 2 bilhões ao município. No entanto, especialistas apontam que esse valor é exagerado e juridicamente insustentável, já que dívidas desse tipo prescrevem em cinco anos. Estimativas realistas giram em torno de R$ 800 milhões, e o caso está judicializado no Supremo Tribunal Federal.