A Polícia Federal (PF) anunciou a abertura de um inquérito para investigar um possível vazamento de informações que teria comprometido uma das maiores operações já realizadas contra o crime organizado no Brasil. A ação, deflagrada no dia 28 de agosto de 2025, tinha como alvo uma sofisticada rede criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que atuava no setor de combustíveis e fundos de investimento para lavagem de dinheiro.
A Megaoperação e os Alvos
A operação envolveu o cumprimento de mais de 400 mandados judiciais em oito estados, incluindo 14 ordens de prisão preventiva. No entanto, apenas seis dos suspeitos foram localizados e detidos, o que levantou sérias suspeitas dentro da corporação. Entre os oito foragidos estão nomes considerados centrais no esquema, como Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”.
Indícios de Vazamento
Delegados e agentes da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (DICOR) da PF relataram que diversos alvos monitorados fugiram pouco antes da operação. Em alguns casos, os investigados deixaram suas residências na véspera da ação, o que contraria o padrão esperado em operações desse porte, onde os suspeitos são surpreendidos para evitar fuga.
Além disso, um dos locais investigados — um prédio de quatro andares em Curitiba, descrito como “escritório do crime” — estava praticamente vazio, sem computadores ou documentos relevantes. Em outro endereço, os agentes encontraram um fundo falso com malas de viagem vazias, sugerindo uma fuga planejada.
Cooperação Interinstitucional e Complexidade
A operação foi resultado de uma força-tarefa que envolveu a PF, o Ministério Público, a Receita Federal, fiscais estaduais e federais, além da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A complexidade da investigação e o número de órgãos envolvidos aumentam a possibilidade de que informações tenham sido indevidamente compartilhadas ou vazadas.
A Resposta da PF
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou que o número de mandados não cumpridos é “totalmente atípico” e que a hipótese de vazamento será rigorosamente apurada. “Já temos algumas pistas, alguns indícios de por onde pode ter vazado informação que favoreceu a fuga dos alvos. Vamos aprofundar a partir de agora. É uma questão de honra entender o que houve e prender quem continua foragido”.
Impacto Financeiro e Social
As investigações revelaram que o esquema criminoso movimentou cerca de R$ 140 bilhões de forma ilícita. Foram bloqueados e sequestrados mais de R$ 3,2 bilhões em bens e valores. A facção utilizava empresas de fachada e fundos de investimento para ocultar patrimônio e realizar fraudes no fornecimento de combustíveis adulterados.
A abertura do inquérito pela PF marca um novo capítulo na luta contra o crime organizado no Brasil. Mais do que capturar os foragidos, a corporação busca entender como informações sigilosas podem ter sido comprometidas em uma operação de tamanha envergadura. A resposta institucional será crucial para restaurar a confiança nas ações de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro.