Desde o início do conflito entre Israel e o grupo Hamas em outubro de 2023, a Faixa de Gaza tornou-se o cenário da guerra mais letal para jornalistas já registrada na história moderna. Mais de 240 profissionais da imprensa foram mortos em menos de dois anos—um número que supera as perdas acumuladas em conflitos como as duas Guerras Mundiais, Vietnã, Síria, Iugoslávia e Ucrânia.
O Alvo: Jornalistas
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciam que Israel tem promovido ataques deliberados contra jornalistas palestinos, com o objetivo de impedir a cobertura da guerra. Muitos dos profissionais mortos estavam claramente identificados como membros da imprensa e atuavam em zonas civis, como hospitais e áreas de distribuição de alimentos.
Além das mortes, há relatos de:
• 520 jornalistas feridos por balas ou mísseis
• 206 jornalistas presos, sendo 55 ainda detidos
• 115 veículos de comunicação destruídos na Faixa de Gaza
Silêncio Forçado
A impossibilidade de entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza sem escolta militar israelense agrava o cenário. Com isso, os jornalistas locais se tornam os únicos olhos e ouvidos do mundo sobre o que ocorre no território. E são justamente esses profissionais que estão sendo sistematicamente eliminados.
O ataque ao Hospital Nasser, em Khan Younis, em agosto de 2025, é emblemático: cinco jornalistas foram mortos enquanto cobriam os efeitos de bombardeios anteriores. A ONU e diversas organizações internacionais condenaram o ataque, classificando-o como possível crime de guerra.
O Impacto Global
A guerra em Gaza não é apenas um conflito territorial—é uma batalha pela narrativa. Ao silenciar jornalistas, Israel é acusado de tentar controlar a percepção internacional sobre o conflito. A RSF chegou a pedir uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir a proteção dos jornalistas e o fim da impunidade.
A liberdade de imprensa é um dos pilares da democracia e da justiça internacional. Quando jornalistas se tornam alvos, o mundo perde não apenas vidas humanas, mas também o acesso à verdade. A guerra em Gaza representa um ponto de inflexão: o jornalismo está sob ataque como nunca antes.
Enquanto os números continuam a subir, a pergunta que ecoa é: até quando o mundo assistirá em silêncio ao apagamento daqueles que se dedicam a revelar a realidade;