Um caso comovente e alarmante veio à tona nesta semana no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Uma idosa francesa de 77 anos e seu filho de 42 anos, que tem síndrome de Down, foram abandonados por um familiar e passaram cinco dias vivendo nas dependências do terminal.
A Chegada e o Abandono
A mulher e o filho chegaram ao Brasil vindos da Bolívia, onde estavam hospedados com o filho caçula — o mesmo que os deixou no aeroporto. Ele embarcou para a França no mesmo dia da chegada, alegando não ter condições financeiras nem tempo para cuidar da mãe e do irmão.
A idosa pretendia seguir viagem para Moscou, na Rússia, mas foi impedida de embarcar pela companhia aérea Qatar Airways. A empresa alegou que ela não tinha condições físicas e psicológicas para viajar sozinha com o filho neurodivergente.
Dias de Espera e Sofrimento
Sem conseguir embarcar e sem apoio familiar, mãe e filho passaram noites dormindo em bancos do terminal 3. Alimentaram-se graças à solidariedade de passageiros e funcionários. A idosa apresentava um quadro grave de trombose na perna esquerda, enquanto o filho estava visivelmente debilitado pela falta de higiene e cuidados básicos.
Intervenção Tardia
Após pressão da imprensa, ambos foram encaminhados ao Hospital Geral de Guarulhos. A prefeitura afirmou que estava ciente da situação desde o início da semana, mas enfrentou dificuldades porque a idosa inicialmente se recusava a aceitar acolhimento institucional.
Consulado e Impasses Diplomáticos
O Consulado Geral da França em São Paulo foi acionado e recomendou que a idosa retornasse à Bolívia, onde o filho caçula residia. No entanto, ele já havia se mudado para a França e declarou não ter recursos para ajudar. A idosa, por sua vez, afirmou que desejava ir para Moscou “para morrer”, revelando o grau de desespero e vulnerabilidade em que se encontrava.